Piauiense Monalysa Alcântara é destaque em desfile de escola de samba de SP

Miss Brasil Monalysa Alcântara desfila no abre-alas da Vai-Vai, que homenageia Gilberto Gil (Foto: Marcelo Brandt/G1)

A piauiense Monalysa Alcântara fez sua estreia no carnaval. E isso inclui avenida e bloquinhos. “Será meu primeiro carnaval em tudo. Mamãe não deixava eu ir e , na minha cidade, o carnaval não é tão forte. Fiz 19 anos agora. Eu não saia muito, pois minha mãe não deixava. Quando deixou, comecei a trabalhar, vim para São Paulo, me tornei Miss…”, enumerou a Miss Brasil 2017, que é de Teresina, no Piauí.

Monalysa foi destaque do abre-alas da escola de samba Vai-vai. A escola foi a quarta a se apresentar na madrugada desde domingo (11) e envolveu o público do Anhembi com um belo desfile em homenagem ao cantor Gilberto Gil. Com alegorias modernas e um samba-enredo poderoso, a tradicional escola da Bela Vista terminou sua apresentação como uma das favoritas ao título do Grupo Especial. O último troféu da escola foi em 2015, com um enredo sobre a cantora Elis Regina.

Foi na quadra da escola que Monalysa aprendeu a sambar, no final de 2017. “Fui lá para fazer um vídeo para o Miss e aprendi. A Camila (Silva, rainha de bateria da escola) super me ajudou. E todo mundo foi muito receptivo. Peguei bem rápido”, conta Monalysa, que tem acompanhado o Instagram de algumas musas para aprender a sambar andando.

  • A Vai-Vai escalou uma comissão de cinco carnavalescos para desenvolver o enredo sobre Gilberto Gil, e eles fizeram um desfile cheio de referências musicais.
  • A cantora Grazzi Brasil foi intérprete da escola, sendo a primeira mulher a empunhar o microfone principal da Vai-Vai. Também puxou o samba o cantor Belo, que estreou na escola.
  • A bateria abriu mão um pouco da tradição e fez passagens com o timbau, que os mestres Tadeu e Beto incluíram em referência aos Filhos de Gandhi, afoxé que desfila com Gil no carnaval da Bahia.
  • Os Filhos de Gandhi foram tema do último carro, que trouxe Gilberto Gil com a mulher, Flora, e o filho Bem.
  • A Vai-Vai foi a quarta escola do carnaval paulistano a ter um nome da música como tema de enredo neste ano. Na mesma noite, a Mocidade Alegre fez um desfile sobre Alcione. Na véspera, a Unidos do Peruche homenageou Martinho da Vila, e a Mancha Verde, o grupo Fundo de Quintal.

    A Vai-Vai homenageia o cantar e compositor Gilberto Gil (Foto: Ardilhes Moreira, G1)

    Para contar a trajetória de Gilberto Gil, escola montou alas temáticas de acordo com composições dele, como “Punk da Periferia”, “Se eu puder falar com Deus” e “Refazenda”. O samba-enredo criado com versos do cantor ficou poderoso e pegou.

    Muitas das alas da escola eram coreografadas. Os 80 integrantes da ala “A Repressão” vieram fantasiados de policiais do batalhão de choque e representavam a ditadura militar, que levou ao exílio de Gilberto Gil em Londres.

    Ivi Mesquita, destaque de chão desta ala, atravessou toda a avenida com as duas botas quebradas, mas manteve a performance.

    As alegorias foram um grande destaque do desfile, enormes e com um toque moderno. O carro que representa a aproximação de Gil com a Bossa Nova tinha um grande João Gilberto e caricaturas de outros nomes, como Maria Bethania. A alegoria sobre a ditadura trouxe ratos e urubus sobre um corpo ensanguentado.

    A Vai-Vai cruzou o portão da dispersão com 1h04 de desfile e pinta de favorita ao título deste ano. A escola já foi campeã do carnaval paulistano 15 vezes, sendo a agremiação com mais troféus. No ano passado, ficou em 3º lugar.