Cinemas Teresina realizam sessão debate de longa maranhense “Boi de Lágrimas”

Nesta quarta-feira (12) os Cinemas Teresina recebem mais uma sessão com debate. A exibição especial será realizada em parceria com a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE). Espaço de difusão do cinema brasileiro, a tradicional Sessão da ABRACCINE traz para a capital piauiense, o lançamento do longa-metragem maranhense “Boi de Lágrimas”, com a presença de Frederico Machado.

Como de costume, após a exibição acontece bate-papo para analisar a obra com o público presente. A mediação do debate será com o curador e documentarista Douglas Machado. A sessão do inédito “Boi de Lágrimas” é a partir das 19h30 nos Cinemas Teresina.

Ainda em setembro, os Cinemas Teresina realizam mais duas sessões com debate. Dia 21 de setembro acontece o primeiro ciclo de Debates sobre o Cinema Piauiense com exibição do curta “Supermemórias”, de Parnaíba, com a presença do diretor Danilo Carvalho e do longa “O Pescador e o Rio”, de Picoscom a presença do diretor Flávio Guedes e do ator Jesualdo Araújo.

Já no dia 28 de setembro acontece sessão com debate do filme A Moça do Calendário” com a presença da atriz Djin Sganzerla.

Produção independente

“Boi de Lágrimas” (Brasil, 2018, 60 minutos) é o quarto longa-metragem de Frederico Machado. O filme é uma obra com traços experimentais que, segundo o diretor, é um filme de horror sobre política e cultura popular. Contando a história de maneira livre e abstrata, o filme se concentra em cinco personagens: um homem que é tocador de pandeiro em um grupo de Bumba meu Boi da periferia de São Luís; sua filha, dançarina do Boi que resolve participar das manifestações políticas que ocorrem na cidade; o namorado da filha, que apenas é um escape para o desejo da filha; o amigo da família, que é um personagem que tem sentimentos ambíguos com todos os personagens que o circundam e sua esposa, que grávida, aguarda com dor o nascimento de seu filho.

Esses personagens são trabalhados apenas para servirem como propulsores de sentimentos e dualidades quanto ao momento social, político e cultural de hoje e sempre no Brasil. Mais do que a narrativa, o filme procura descobrir caminhos para linguagens. Feito como cinema de guerrilha, onde a equipe também trabalha como elenco, o filme se constrói sobre a égide da liberdade de criação.

Filmado em três dias, o filme teve custo de apenas 10 mil reais. A equipe e o elenco trabalharam de forma colaborativa. O filme pretende também em sua distribuição, se tornar uma ação inovadora. A estratégia é percorrer apenas festivais dos quais será convidado, não fazendo parte de nenhuma mostra competitiva. Além da distribuição no cinema ser restrita à Sessão Abbracine e, posteriormente, apenas com exibições em Cineclubes e Cinematecas.

O filme é, em suma, um exercício do fazer cinematográfico. “Boi de Lágrimas” está sendo descrito pela crítica como “um registro de nossa poderosa resistência poética”, fazendo ligações com o cinema de Glauber Rocha. Como atesta o crítico Marco Fialho.  “Enquanto Glauber  era fixado em um conceito modernista das artes, Frederico Machado é mais antenado a uma visão de contemporaneidade. Glauber era afeito à alegoria, inclusive nos discursos de seus personagens, já Frederico prefere recursos mais sóbrios. Mas a similaridade entre os dois vem mais de uma proposta de criar um mosaico que instaura ou assume o caos como realidade”.

O quinto longa-metragem de Frederico Machado, “As Órbitas da Água”, está em fase de montagem e será lançado em 2019.

Frederico Machado

Cinemas Teresina realizam sessão debate de longa maranhense “Boi de Lágrimas”
Frederico Machado. (Foto: divulgação)

Frederico Machado é cineasta, fotógrafo, roteirista e produtor. Além de Diretor de Festivais de Cinema, Distribuidor e Exibidor. Nascido em São Luís(MA), em 1972, começou sua carreira como cineasta em 1996, com a realização do curta-metragem “Litania da Velha” (1996). Em 2000, fundou a produtora Lume Filmes, que já lançou centenas de filmes autorais e clássicos em DVD no mercado de home-vídeo, cinema, TV´s e VOD.

Como exibidor é proprietário do Cine Lume e da Cinemateca Lume, além de idealizador do Festival Internacional Lume de Cinema, no Maranhão. Dando prosseguimento na sua carreira de cineasta, realizou os curtas “Infernos” (2006), “Vela ao Crucificado” (2009) e “Angústia” (2016).

Seu primeiro longa-metragem foi  “O exercício do caos” (2013). Com ele, participou de importantes festivais como Thessaloniki IFF (Grécia), Ìcaro IFF (Guatemala), Festival do Rio (Brasil) e Mostra Internacional de São Paulo (Brasil). Em seguida realizou “O Signo das Tetas” (2015), vencedor da Mostra do Filme Livre 2016 (Melhor Filme) e que entrou em diversas listas dos 10 melhores filmes do ano, em sites e revistas internacionais como Rapporto Confidenziale (Itália) e Cine Paxy (Itália). Seu terceiro longa-metragem foi “Lamparina da Aurora” (2017), filme vencedor da Mostra Tiradentes e selecionado para festivais importantes como Kitzbuhel (Austria) e Bogotá (Colombia). “Boi de Lágrimas” (2018) é o seu quarto longa. Como realizador, já ganhou mais de 100 prêmios internacionais.