Após 50 dias de greve, policiais civis continuam com paralisação em todo o Piauí

Cerca de 150 policiais civis decidiram por unanimidade pela continuidade da greve que já tem duração de 50 dias no Piauí

Na manhã desta terça-feira (22) os policiais civis da capital e interior se reuniram em assembleia geral extraordinária, na sede do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Piauí (Sinpolpi), para discutir e deliberar sobre a continuidade do movimento paredista de greve, que hoje completa 50 dias.

Durante toda a manhã, cerca de 150 policiais civis presentes, vindos da capital e de cidades como Parnaíba, Picos e Piripiri, usaram a fala para discutirem os caminhos da greve que, inicialmente, possuía pouco mais de 50% de aceitação e, hoje, mantém mais de 80% de concordância entre toda a categoria policial civil.

Após 50 dias de greve, policiais civis continuam com paralisação em todo o Piauí (Foto: Divulgação/Sinpolpi)
Após 50 dias de greve, policiais civis continuam com paralisação em todo o Piauí (Foto: Divulgação/Sinpolpi)

De acordo com o presidente do Sinpolpi, Constantino Júnior, a categoria é quem tem poder de decisão. Por conta disso, aprovaram em unanimidade pela continuidade da greve.

“O governador Wellington Dias não possui o mínimo de respeito com trabalhadores do Estado, nós estamos cansados de não receber a atenção necessária que merecemos. Eles pensam que irão nos desestabilizar com o desgaste da greve, mas, para a surpresa de todos, o nosso movimento apenas ganha força e apoio não somente dos policiais civis, mas da população que está sentindo na pele o aumento da criminalidade e o descaso do governo com a segurança pública”, afirmou o presidente.

Segundo o Sinpolpi, até o momento não houve nenhum posicionamento do Governo Estadual para possível acordo e finalização do movimento grevista.

Ao Conexão 86, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí informou que com o prosseguimento da greve os BOs continuam sendo registrados na Delegacia Geral de Polícia Civil.

Relembre o caso

Mais de 200 policiais civis decidiram favoravelmente, em assembleia geral extraordinária realizada dia 16 de março de 2018, no auditório do Centro de Artesanato Mestre Dezinho, pelo movimento paredista de greve, para iniciar no dia 3 de abril de 2018, a fim de cobrarem do governo o cumprimento do processo de dissídio coletivo de greve (Nº 2015.0001.004632-5) acordado no ano de 2015. Três anos depois, o governo do Estado continua ignorando a decisão judicial, principalmente o item 7 (letras A e D) do processo, que são referentes ao reajuste salarial para o triênio de 2016-2017-2018 e a relação do maior e menor salário dentro da Polícia Civil.

De acordo com o presidente, a categoria está insatisfeita com a intransigência do governo, que reluta em sentar e ouvir o que os policiais civis estão cobrando. “A insatisfação dominou os ânimos de grande parte dos policiais civis, agora, está mais claro do que nunca que esse governo é, na realidade, um ‘desgoverno’ para a segurança pública do Piauí e nós, como membros desta Instituição, não podemos deixar que, por interesses políticos de poucos, a segurança do Piauí seja colocada em último plano de atenção”, alertou o sindicalista.

Nos últimos 50 dias de greve, conforme decidido pela categoria em assembleia, foram e continuarão sendo atendidos somente os casos de crimes contra a vida, contra crianças e idosos e estupro, além do equivalente de 30% decididos por lei em situações de paralisação.

Veja vídeo da decisão em assembleia

 

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