Grupo de mulheres se reúne em manifesto na capital contra o feminicídio

Grupo de mulheres se reúnem em manifesto na capital contra o feminicídio. (Foto: Leonardo Lima/ Conexão 86)

Na manhã desta quinta-feira (21), um grupo de mulheres liderado pelo movimento ‘Mulheres Articuladas’ saíram em marcha pela Avenida Frei Serafim até a ponte JK, no centro de Teresina, em protesto contra a violência à mulher e seu agravante, o feminicídio.

Segundo a Secretaria de Segurança do Piauí, os casos de feminicídio (quando o assassinato é motivado por ser do gênero feminino) no primeiro semestre desse ano na capital teve um aumento em relação ao mesmo período do ano passado.

Joseane Barros, uma das organizadoras do movimento realizado hoje, conta que o machismo é atualmente o maior motivo do feminicídio. “O machismo ainda hoje está muito forte, nós do movimento Mulheres Articuladas estamos trabalhando para desconstruir esse pensamento do homem achar que a mulher é sua, como um objeto. O homem tem na consciência dele que ele pode tudo e a mulher não pode nada; ele pode trair, maltratar desrespeitar e a mulher tem que ser submissa, e isso não existe!”

Joseane Barros, uma das organizadoras do movimento. (Foto: Leonardo Lima/ Conexão 86)

Acrescenta que a escola tem que trabalhar esse tema também, para que os meninos desde criança já possam se desfazer dessa ideia e cresçam pessoas conscientes.

O movimento reuniu mulheres que apoiam a causa e também parentes de vítimas. Um deles é Frank Gil, irmão de Gisleide Alves, morta no mês passado a facadas pelo homem que havia conhecido por rede social e estava se relacionando.

(Foto: Leonardo Lima/ Conexão 86)

Também estavam presentes na marcha a delegada Anamelka e a vereadora Teresinha Medeiros (PSL). As duas falaram da importância do uso de ferramentas para a denúncia e combate a violência contra a mulher, como o aplicativo Salve Rainha.

Uma vítima de agressão física e psicológica

Marta Célia, é participante ativa do movimento e contou que já sofreu agressões físicas e psicológicas pelo seu ex-marido.

(Foto: Leonardo Lima/ Conexão 86)

“Fui violentada física e psicologicamente, já fui queimada e esfaqueada pelo meu ex-parceiro, que era meu marido. Quando fiz a denúncia não obtive uma resposta, a resposta que eu queria naquele momento. Ainda vejo muita decadência nas delegacias, agora mesmo ele me ameaçou e registrei outra denúncia, e cobrei por uma resposta protetiva de 500 metros. Por já participar de movimentos sociais em defesa da mulher já conheço os meus direitos e posso cobrar por respostas mais rápidas, ao contrário das mulheres que não tem esse conhecimento, vão a delegacia e não tem uma resposta. Então por isso que eu luto por essa causa de violência contra a mulher, e contra o feminicídio, porque feliz sou eu que ainda estou aqui, apesar de ser esfaqueada, mas tô dando o meu depoimento.”